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Entrevista a Act-Ups  (16 de Março 2004)

 

 

1. Quem responde há entrevista?

Maestro Nick Nicotine IV

 

2. Quem são os Acts-Ups?

Os Act-Ups são Nick Nicotine (Voz + Guitarra); Johnny Intense (Guitarra + Voz); Gomez [was made for love] (Órgão + Voz); N Very (Guitarra); Hellso (Bateria) e Sir Tony Fetiche (Baixo).

 

3.Que tipo de música fazem?

A que nos apetece e gostamos… Maioritariamente Rock’n’Roll com muito Soul e Punk-Rock à mistura.

 

4.Os vossos heterónimos são personagens para poderem repensar e fazer música?

Não. Nem são heterónimos, são os nossos nomes reais. Eu, por exemplo, sou Nicotine da parte da família do meu pai, os Nicotines, do Lavradio.

Ok, agora a sério: os heterónimos surgiram muito antes dos Act-Ups e, se queres que te diga, não sei para que servem – no entanto, gostamos muito deles.

 

5. Porquê quê vocês são "preachers"?

Porque o Soul e o Punk-Rock não são para ser vividos como se fosses beber um simples café. A música é feita para ser sentida de corpo e, principalmente, alma – tal como uma missa onde podes fechar os olhos e entregar-te a algo superior. Não damos concertos, celebramos missas e, lá, somos os padres. No entanto, nenhum de nós é crente em algo que não a música – talvez porque essas supostas missas a sério são, normalmente, ao domingo de manhã.


 

6. Espalhar a mensagem é o vosso objectivo de vida?

Os concertos são tão intensos que somos nós que nos espalhamos em palco. Se a partir desses espalhanços o público conseguir retirar alguma mensagem, óptimo. No entanto sou apologista de mensagens hábeis e subtis – Não gostamos muito de concertos em que as bandas passam mais tempo a falar para o público que a tocar. Como disse, se fechares os olhos e sentires a música, absorves a mensagem, se ela existir.

O nosso objectivo de vida é obter fama, mulheres e dinheiro. Faltam-nos quase três terços dessa equação.

 

7.Ao vivo vocês retransforma-se ou é mesmo a loucura total?

Acho que é mesmo a loucura total. Estou a responder a esta pergunta duas noites depois do último concerto e continuo a não sentir nada excepto dores. As farmácias e os psicólogos têm muito a ganhar connosco.

 

8.Quais são até hoje os vossos registos sonoros?

Apenas o nosso disco de estreia, “I bet you love us too”. Temos outro disco pronto para gravar, que deverá sair talvez no início do próximo ano. Este ano pensamos ainda editar um Ep, porque senão ficamos com músicas a mais e, dada a desarrumação da sala de ensaios, podemos perdê-las.

 

9. O vosso cd "i bet you love us too" está a ter a divulgação merecida?

Sim, costumo dizer que cada um tem aquilo que merece. Aproveito para agradecer a todos os que nos apoiam e desejar aos que não apoiam aquilo que merecem. Não te preocupes – estás no primeiro grupo.

 

10.No estrangeiro e este cd já teve alguma divulgação?

Sim, alguma, principalmente em Espanha. Sei que o disco toca em alguns programas de autor lá, bem como nos Estados Unidos, Holanda, entre outros.


11. Os Act-Ups são uma banda disposta a conquistar o mercado tuga?

Claro que sim. Primeiro Manhattan, depois Berlim. Vivendo neste cantinho à beira mar plantado temos todo o interesse em que as pessoas que nos rodeiam gostem de nós e comprem os discos ou os saquem da Internet. Só tenho pena que o panorama musical esteja tão podre, com tanta falta de coragem em apostar em coisas novas e tanta vontade de fazer dinheiro fácil. Mas isso é outra história – estamos prontos para a conquista e ponham-se em guarda, porque damos luta.

 

12.Mas o mercado espanhol é grande consumidor de rock´n´roll, estão a pensar espalhar a vossa mensagem por lá?

Isso já é outra história. O mercado espanhol não tem nada a ver com o nosso. Vendemos quase tantos discos em Espanha como em Portugal. O nosso disco está a ser distribuído em Espanha pela www.bloodymary.biz , a maior loja de rock’n’roll de Espanha e os gajos adoram o disco. Em princípio vamos uma semana ou duas para Espanha, lá para Setembro ou Outubro. Em Portugal é quase impossível passar duas semanas a tocar, todos os dias, e tenho muita pena disso.

 

13.Até quando é que estão dispostos a divulgar a vossa mensagem?

Pelo menos até à festa do centésimo aniversário dos Rolling Stones, onde iremos tocar. Isto é o que fazemos melhor, portanto não faria qualquer sentido parar, pelo menos nos próximos sessenta anos – depois logo se vê.


 

14.Quais são os vossos projectos, mais próximos?

Tocar ao vivo, vender muitos discos, acabar o vídeo-clip do “Miracle” e pô-lo a passar em todas as televisões e… tocar ao vivo mais um bocadinho.


15.Digam-nos algo caricato que já vos tenha acontecido por exemplo num concerto?

As coisas nunca correm tal como planeadas, mas ainda não atingiram o caricato. O mais próximo disso foi o Fetiche ter partido uma corda do baixo a meio de um concerto e, por não ter outro baixo, ter que trocar a corda enquanto eu cantava alguns êxitos do Elvis, Roy Orbison, Hank Williams e Englebert Humperdinck – o artista com o nome mais artístico do mundo. Não foi caricato, foi patético – no entanto o público não se foi embora, portanto… talvez tenha sido patético e útil.


16.Numa frase como são os Act-Ups?

Dou-vos cinco hipóteses. Os leitores podem enviar a que pensam estar correcta para o nosso email e habilitam-se a uma serenata gratuita, tocada ao vivo pelos Act-Ups (têm que ter uma varanda, sem marquise, e comida para seis). Aqui vai:

Os Act-Ups são…

A: A única banda decente em Portugal

B: A salvação

C: Seis pessoas

D: Bonitos, inteligentes e cheios de carisma

E: A única banda indecente em Portugal


 

17.Uma ultima mensagem para os fans.

Apareçam nos concertos, ou melhor, nas missas, e comemorem.

Já agora: podem atirar notas para o palco – as moedas aleijam muito.

Obrigado por tudo.

 

 

 

 

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