Entrevista a Big Fat Mamma (02 Agosto 2004)
Quem responde há entrevista?
Budda e Alex.
Há quantos anos existe os Big Fat Mamma?
Os big fat mamma formaram-se em Setembro de 1995, portanto há praticamente 9 anos.
Quem são os BFM?
Quais são as principais influências para fazerem música?
Pelo facto de sermos muitos as influências são muito diversas, pelo que se torna difícil especificar algumas. No entanto podemos dizer que há marcadas influências do Funk, Bossa Nova, Blues e Rock.
Expliquem o que é isso do FREE, como se caracteriza este estilo musical.
Exactamente pelo facto de ser difícil de catalogar o nosso estilo musical e pela ausência de regras na composição dos temas dos big fat mamma é que decidimos chamar Free ao fruto do nosso trabalho. Assim, sendo Free não só baptiza o nosso som como explicita o conceito de composição dos big fat mamma.
Qual é a vossa discografia?
Tema
“Alcoholic Blues” editado na colectânea Rock in Bracara
Temas “Alcoholic Blues” e “Mr. Knows it all” editado na colectânea da revista
Promúsica
Tema “Free Power” editado na colectânea da Revista On
Tema “Jogo de Bola” editado na colectânea “Cd não oficial do Mundial de futebol”
Álbum Parece Difícil
Tema “Seus Olhos” single do disco Parece Difícil
Tema “Tão Triste” single do disco Parece Difícil
Tema “Alcoholic Blues III” editado na colectânea Á Sombra de Deus – volume 3
Um cd gravado é sinónimo de sucesso financeiro (estando vocês numa multinacional)?
Natural e infelizmente em Portugal o mercado da música não dá dinheiro aos músicos. Claro que há alguns que conseguem sobreviver da música, mas a esmagadora maioria depende financeiramente de outras actividades.
Há expectativas de o vosso cd, ser vendido no estrangeiro? (Ex. Brasil)
Esse é um dos grandes objectivos desta banda, mas a internacionalização em Portugal não é nada fácil. Para este disco parece-nos que não esteja fácil esse sonho, mas o próximo disco está a ser pensado de forma a poder ser exportado para o Brasil pelo menos. Afinal de contas estamos a falar da terra natal da Alex.
E ao nível de concertos como é que estão quer em Portugal quer fora de Portugal?
Felizmente e apesar da crise de que se fala tanto, os big fat mamma não têm razões de queixa quanto ao número de espectáculos realizados, já que a Parece Difícil tour contou com cerca de 70 concertos. Naturalmente para uma banda da nossa dimensão (8 músicos em palco) os concertos no estrangeiro tornam-se um pouco dispendiosos, no entanto a banda já fez algumas incursões por territórios internacionais e pelas ilhas nacionais (Madeira e Santa Maria).
Os Três sopros “têm comportamentos especialmente estranhos”? Porquê?
Isso torna-se mais evidente quando se presencia um concerto nosso. A cumplicidade entre eles é total. Tal como na música os Hornflakes falam e pensam em uníssono.
A Alex é o “motor” que faz girar a banda ou simplesmente mais um elemento em palco?
Em palco a figura da Alex é inevitavelmente notória, no entanto todos nos assumimos como uma oitava parte da banda. Cada um tem o seu, ou seus papéis e desempenha-o de forma exemplar. Todos contribuem para o todo que são os big fat mamma e todos conferem individualidade à banda.
Certo é que a Alex é um animal de palco, isso faz com que o público adira melhor nos concertos?
Naturalmente a postura da Alex é fortíssima e motiva o público a participar. Esse é um dos papeis que ela representa nesta banda. Afinal de contas ela é a frontwoman dos big fat mamma, para além de dar voz ao colectivo.
Qual foi o concerto que correu melhor? E porquê?
É muito difícil especificar um único concerto, até porque as opiniões divergem sempre entre os vários elementos. Muitas vezes o que determina um bom ou mau concerto são as condições técnicas disponíveis, o público e a sua interacção, o feelling da banda no dia, etc.. Há pouco tempo demos um concerto em Vila de Rei que nos correu muito bem por todo o conjunto de coisas, apesar de não haver muito público. O espectáculo na Queima das Fitas de Braga (2004) foi também muito bom para nós. Este último espectáculo do ACERT foi sem dúvida um dos melhores, pelo menos um dos que nós mais curtimos.
O que vos deixa nervosos ao entrarem para o palco?
Com o passar do tempo e com a experiência adquirida (afinal já lá vão 9 anos como banda) o nervosismo antes dos concertos já devia ter acabado, mas não sei porque carga de água nunca para. Nós sabemos que não há muito por onde o concerto correr mal, porque tudo é testado no sound check, mas... há sempre um nervoso miudinho antes de entrar. No entanto é essa adrenalina que nos dá imenso prazer de superar.
É importante fazer esta ponte cultural ente Brasil e Portugal, com é o caso dos BFM?
Não sei se é importante ou não! Em nós isso é natural. Sempre fomos muito influenciados pelo Brasil musical, desde a Bossa Nova de Tom Jobim, Caetano, Chico Buarque, João Gilberto, etc. ao Funk rap de Gabriel Pensador, Fernanda Abreu, Seu Jorge, etc. Com a Alex na banda essa ponte cultural é ainda mais inevitável pelo sotaque das letras.
Fazer músicas para peças de teatro é algo para continuar?
A peça de teatro que escrevemos foi uma experiência inesquecível e super gratificante. Por essa razão só podemos continuar abertos a propostas do género. É muito diferente compor para teatro ou cinema, pois as regras a respeitar são completamente distintas. Isso funciona como uma motivação extra.
Contem-nos episódios caricatos que já se tenham passado convosco?
Em 1998 fizemos uma série de 3 espectáculos do Rivoli (Porto). Para entrarmos para o edifício tínhamos que o fazer pela chamada porta do cavalo. Aí passávamos pelo segurança que nos identificava. O problema é que todos os dias o segurança era diferente e todos os dias tínhamos que nos identificar. Num dos dias o segurança resolveu implicar e seguir mais à risca as regras e procedimentos. Depois de muito custo o segurança lá entendeu que éramos os músicos da banda que ia tocar nessa noite e disse: “Ah! São dos Vincente Mama!!”.
Para quando o próximo álbum? E já existe algo sobre esse próximo álbum?
O próximo álbum apesar de ainda não ter data definida está a ser preparado neste momento, em simultâneo com os concertos. Já há vários temas compostos e alguns muito próximos da sua versão final. No entanto ainda é cedo para precisar algo mais...
Quais são os vossos projectos para o futuro?
O grande sonho dos big fat mamma é a internacionalização para o Brasil. Tentar
pelo menos editar o disco lá e conseguir fazer espectáculos no país de muitos
dos nossos ídolos.
Neste momento o projecto mais concreto é a gravação do próximo disco, que
esperamos ver editado tão brevemente quanto possível.