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Entrevista a ODE ODIUM       (27 Julho 2003)

 

 

1.           Quem responde à entrevista?

 O Marquês

 

 

2.           Quem são e à quanto tempo é que existe a banda e de onde vêm?

Os Ode Odium nasceram em 1999, são originários de Carcavelos e a sua constituição é a seguinte:
Luís Miguel  – Baixo, Pseudónimo – O Cobrador 

Vitor de la Fuente – Bateria , Pseudónimo – O Blasfemo

Sérgio Guerreiro – Voz e letras, Pseudónimo – O Marquês

Pedro Costa – Guitarra e Programação, Pseudónimo – O Banqueiro

 

 

3.           O palco com encenação da vida real, é objectivo?

 A vida é um palco. Nós o que fazemos é exorcizar os medos por intermédio do exercício existencial da paixão.

 

4.           O teatro, expressão corporal, poesia, música, é no fundo o sentimento que procuram?

 O sentimento quando identificado como fonte catalisadora de uma acção é a actividade mais nobre que revela o livre arbítrio de cada qual. Quantos de nós não demos, inúmeras vezes, a representar uma personagem, a exprimir através do corpo um estado de espírito, a escolher a urgência das palavras para conferir um sorriso no rosto alheio, ou até, a cantar uma melodia que nós invoca à memória uma experiência de vida? Quantos de nós não vivemos a urgência de adiar a ausência....

Não será isso que procuramos? Sem saber ao certo o que iremos descobrir? Do outro lado do Eu...

 

 

5.           O porquê deste nome?

Isso agora... vamos simplificar!...  Assim temos a Ode como exortação ao Amor, o Odium como forma de cicatrizar uma dor quase invisível, mas repara, sempre com a força das palavras! Sempre. Não somos uma banda de opostos mas sim, um ponto onde os contrários se interceptam. Será simples de intender, se verificarmos que não há chegada sem partida, Amor sem ausência, Prazer sem dor. Nós estamos na intercepção destes pontos.

 

 

6.           Enquanto banda têm fobias e vícios?

Claro que sim!...   Tens o exemplo de que o baterista tem medo de aranhas, eu detesto andar de carro com medo que o mesmo me comande, o baixista é fascinado pelo fogo pelas as suas construções  enquanto que o guitarrista, adora o método desconcertado da confusão. Em suma, pessoas normais. Já me ia esquecendo dos vícios; Fêmea – dependentes no bom sentido... norte sul!

 

 

7.           Como caracterizam o som que produzem?

O som dos Ode Odium tem a força de um trovão, a inocência de um adeus, a melancolia de uma madrugada de outono e a sedução de um olhar naufrago, agora multiplica todos estes factores por quatro... 

 

 

8.           Qual é a vossa discografia?

Todos os nossos registos foram efectuados em edição de autor; a primeira maquete foi realizada em 1999,  Versus depois em 2000, Jurisprudência Divina, e em 2002, Boca do Lobo.

 

 

9.           Quais são as vossas principais influências para criar?

A criação surge no momento em que menos esperamos, depois vem a discussão, onde mordemos as orelhas uns aos outros com críticas o mais destrutivas que possas imaginar.

 

 

10.       A vossa carreira está a evoluir ao ritmo pretendido?

Se atendermos ao facto de que uma estrela quando brilha, muitas das vezes a sua vida já findou, então podemos considerar que entre a efémera ascensão e a derradeira queda, estamos no sitio certo à altura exacta, com o brilho por nós criado. Claro que queremos sempre mais. É isso que nos faz acreditar que toda a subida pode ser dolorosa, mas a chegada quando ponderada pode ser compensatória.

 

 

11.       Vocês gostam mais de estar em estúdio, produzir sons e descobrir novos caminhos ou de mostrar tudo o valem e o que não valem em palco?

O êxtase surge em palco, as preliminares no local de ensaio.

 

 

12.       Tiveram dificuldades na produção e elaboração das músicas do vosso quarto registro?

Está a ser complicado. Temos uma orquestra com 4 maestros, surdos, mudos e teimosos, logo como podes imaginar, o resultado será hilariante. Esperem para ver e ouvir... Já agora aproveito para referir, que a maquete tem o patrocínio de genéricos anti-depressivos.

 

 

13.       Contem como foi no concerto em Faro quando a PSP interrompeu o vosso concerto?

Um coito interrompido. Quando falávamos de Liberdade calaram-nos com a opressão do adiantado da hora. 

 

 

14.       O facto de não terem apoios para este registo, pensam mesmo assim ter a projecção que queriam ?

Qualquer registo de autor cuja divulgação parta exclusivamente do próprio, obtém os seus dividendos na procura/distribuição imediata, ou seja nos concertos. E nisso não nos podemos queixar. Temos um público espectacular, e esse é o maior apoio que poderíamos ter.

 

 

15.       E ao nível da divulgação da banda como é que está a decorrer?

A nossa principal ferramenta de divulgação é o nosso Site. Se atendermos ao facto que em 2 meses obtivemos várias centenas de visitantes, podemos concluir que o nosso objectivo está a ser alcançado em www.odeodium.com.sapo.pt

 

 

16.       Tiveram divulgação fora de portas (no estrangeiro)?

As maquetes circulam sem direitos aduaneiros/alfandegários pela Europa, nomeadamente em França, Inglaterra e Suécia. Quanto ao site, esse paga o singelo preço da globalização.

 

 

17.       Estiveram em algum “grande palco” ou uma verdadeira prova de fogo que pusesse a banda à prova?

 Sim. Relembro um concerto em que depois de 400 Km, fomos brindados com um técnico de som que percebia de tudo menos de som. Numa organização perita em desorganizar e desorientar. Claro que este facto colocou à prova a nossa união. Depois de um grande balde de água fria, vieram outros e outros. O palco muitas das vezes não interessa, o que conta é a capacidade organizativa e dinâmica de quem está por detrás dos eventos. Enfim.

 

 

18.       A língua em que cantam é um factor importante para passar a vossa mensagem? Ou tem haver só com a prospectiva de carreira?

 Não será uma questão da língua Portuguesa, uma vez que as emoções sejam elas em grego, hebraico ou chinês são iguais em qualquer canto do mundo. Não obstante isso, o mote dos Ode Odium é e será sempre o verbo em português, o destino e a saudade. 

 

 

19.       O vosso “target” de mercado a atingir é unicamente o mercado nacional ou existem expectativas para divulgação fora de Portugal? Se sim qual são os vossos mercados prioritários?

O mercado é o nacional, mas como disse à pouco as emoções não têm fronteiras.

 

 

20.       Porque que acham que cada vez menos bandas cantam em português?

 É uma questão de opção e identidade. Se cantar em português não é com certeza estar orgulhosamente sós de costas voltadas para o mundo. Há quem assim não o entenda e opte por uma formula foneticamente mais imediata, resta no entanto saber se essa formula já não se esgotou...

 

 

21.       Como definem os Ode Odium?

 Emoções no estado liquido, um brinde a um estado de espírito. A representação teatral num festim musical.

 

 

22.       Prospectivas para o futuro?

 Que o futuro seja uma perspectiva.

 

 

 

 

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